Crise de Flávio abala relação com evangélicos, mercado e agro

Brasília (DF) 27/05/2024 Reunião da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) durante audiência pública para discutir a proposta de emenda à Constituição que transfere os chamados terrenos de marinha, mediante pagamento, aos seus ocupantes particulares e, gratuitamente, quando ocupados por estados ou municípios. ( Senador Flávio Bolsonaro é o relator). Foto Lula Marques/ Agência Brasil
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A crise envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro provocou desgaste em setores estratégicos da base bolsonarista, como lideranças evangélicas, empresários, investidores e representantes do agronegócio. O episódio também resultou na saída do marqueteiro Marcello Lopes, o Marcellão, da pré-campanha presidencial do senador.

Para o lugar dele foi escolhido Eduardo Fischer, publicitário que atuou na campanha presidencial de Alvaro Dias em 2018.

Aliados admitem que o caso interrompeu uma tentativa de aproximação de Flávio com setores do mercado financeiro e do empresariado. A crise ganhou força após a divulgação de áudios em que o senador cobra recursos de Vorcaro, além de revelações sobre a proximidade entre ambos.

Entre evangélicos, o impacto foi imediato. O assunto dominou conversas em grupos de líderes religiosos alinhados ao bolsonarismo, como os pastores Silas Malafaia, Robson Rodovalho, Renê Terra Nova e Estevam Hernandes.

Rodovalho afirmou que o caso foi um “balde de água fria” na pré-campanha de Flávio. “Foi muito negativo tanto o fato em si, da aproximação com Vorcaro, como a explicação em prestações”, disse. Já Malafaia afirmou que o apoio pode ser revisto caso surjam novas revelações. “Se tiver mais coisa, será difícil apoiar”, declarou.

Nos bastidores, voltou a crescer entre evangélicos a possibilidade de uma candidatura da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como alternativa dentro do Partido Liberal.

No mercado financeiro, o caso repercutiu durante a Brazil Week, em Nova York, e ampliou dúvidas sobre a viabilidade eleitoral de Flávio como principal nome da direita contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A campanha intensificou agendas com empresários e investidores em São Paulo para tentar conter o desgaste.

A crise também fortaleceu especulações em torno de outros nomes da direita, especialmente os governadores Romeu Zema e Ronaldo Caiado, vistos por setores do mercado e do agronegócio como alternativas mais estáveis.

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