RN registra centenas de casos de câncer infantil em 2015

No Dia Internacional do Câncer Infantil, lembrado nesta segunda-feira (15), dados do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) estimam que, entre 2016 e 2017, vão ocorrer cerca de 12,6 mil novos casos da doença em crianças e adolescentes no Brasil. No Rio Grande do Norte, cerca de 300 casos foram registrados no ano passado.

Wilson Cleto, é pediatra oncologista no Hospital Infantil Varela Santiago, referência no tratamento do câncer infantil em Natal. Para o médico “a dificuldade de fazer o diagnóstico e o acesso a tecnologia hospitalar dificultam o tratamento dessas crianças”.

A opinião é corroborada pela Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (Sobope) que ainda aponta a falta de medicamentos específicos. Segundo a presidenta da Sobope, Teresa Fonseca, não houve, no país, um aumento da taxa de cura como era esperado, se comparado a outros países.

“Há 30 anos [a taxa] se mantém em uma linha reta, ela não avança em nenhuma região do país”, disse, explicando que em torno de 70% das crianças são curadas, quando são diagnósticas a tempo e tratadas em centros especializados. Fora desse contexto, a taxa de cura no Brasil é de 48%, estando muito aquém de países como Estados Unidos e Alemanha, onde cerca de 80% das crianças com câncer vencem a doença.

Acima da média

No Hospital Varela Santiago, no entanto, a taxa de cura é 81%. “Nos últimos três anos (entre 2013 e 2015) foram registrados 130 casos no Varela. Desses 24 pacientes vieram a óbito”, relata Wilson Cleto. O oncologista ainda destaca que o tipo de câncer mais comum na unidade em que trabalha é a leucemia – doença dos glóbulos brancos transportados no sangue.

Para Fonseca, tanto o poder público quanto a sociedade científica têm que questionar a realidade brasileira e trabalhar por um diagnóstico preciso e inicial já que o câncer infantil tem uma evolução muito rápida. “O câncer pediátrico é uma doença aguda. Às vezes o profissional de saúde está com um caso suspeito, não tem muita clareza sobre o que fazer, e quanto mais ele demora, com exames e autorizações, a criança tem um atraso no diagnóstico, que é um tempo fundamental para ela”, afirmou.

Mesmo a Lei 12.732/12, que assegura aos pacientes com câncer o início do tratamento em, no máximo, 60 dias após a inclusão da doença em seu prontuário, não contempla a criança, segundo Fonseca, já que o câncer infantil pode evoluir muito de duas a três semanas.

Novo protocolo

A presidente da Sobope informou que o Ministério da Saúde está formalizando um protocolo que vai desde a atenção básica até os cuidados especializados, com centros especializados e redes estaduais para o diagnóstico e tratamento da doença. “Nós temos grandes centros de excelência, mas tem lugares sem estrutura mínima para atender crianças”, disse.

Em Natal, a Casa Durval Paiva apoia a campanha mundial promovendo durante todo o ano a Cavarana do Diagnóstico Precoce divulgando, em todo o Estado, os principais sinais e sintomas do câncer infanto juvenil.

O câncer infantil corresponde a um grupo de várias doenças que têm em comum a proliferação descontrolada de células anormais e que pode ocorrer em qualquer local do organismo. Os tumores mais frequentes na infância e na adolescência são as leucemias (que afetam os glóbulos brancos), os do sistema nervoso central e os linfomas (sistema linfático).

Além de uma linha de cuidados específica na atenção básica, Teresa Fonseca defende mais informações sobre a doença ainda dentro dos cursos de graduação de medicina, enfermagem e demais profissionais da saúde. “Muitos deles, quando se formam, nunca tiveram informação ou contato com o câncer infantil, porque os centros especializados pelo país são poucos, comparados ao número de cursos de graduação”, explicou.

Câmara
Compartilhar

Deixe uma resposta