Como fica a política em Parnamirim pós-Agnelo?

Por: Cefas Carvalho e Tiago Rebolo
Prefeito de Parnamirim por duas vezes (de 2001 a 2004 e de 2005 a 2008), o jornalista Agnelo Alves, falecido no último domingo (21), tornou-se o maior líder político da história do município. Tal prestígio ficou evidente sobretudo pela eleição do sucessor, Maurício Marques (PDT), e pela conquista dos mandatos na Assembleia Legislativa com grande votação em Parnamirim nas duas vezes.
Com gestões pragmáticas, de trânsito livre nas esferas de poder político e choque de gestão, ele dividiu a política no município em “Antes de Agnelo” e “Depois de Agnelo”.
Mas, uma pergunta que já se faz (e é lícito fazê-la, já que o próprio Agnelo respirava política 24 horas por dia) é: como ficará o quadro político em Parnamirim pós-Agnelo?
É certo que, em uma primeira instância, a situação sai ganhando. Isso porque o grupo político que comanda a Prefeitura é basicamente o mesmo desde a primeira gestão de Agnelo, salvo algumas defecções e outras poucas inclusões.
Ganha força, neste sentido, o prefeito Maurício Marques (PDT), que, sempre leal a Agnelo, suportou estoicamente boatos inúmeros e desgastes reais e imaginários de uma eventual ruptura com o ex-prefeito. Além disso, Maurício pode ter na sua biografia o verbete de que se manteve leal a Agnelo literalmente até o fim. Por lógica política e também por falta de uma oposição forte e sistemática, Maurício pode ser considerado o maior líder político do município a partir de agora.
Continuando no grupo situacionista, a situação do secretário de Obras, Naur Ferreira (PSB), é uma incógnita. Por um ângulo, ele, que é o único pré-candidato da situação (e, por conseguinte do agora maior líder da cidade, Maurício), já em pré-campanha para 2016, tem a ganhar. Afinal, está na administração desde 2000 e seria apoiado por Agnelo, a julgar que realmente fosse sair candidato e que o grupo continuasse unido. Tem todo o direito de barganhar para si o status de “candidato que Agnelo apoiaria”.
Por outro lado, Naur nunca teve seu nome umbilicalmente ligado a Agnelo (como, por exemplo, o vereador Giovani Júnior e a vice-prefeita Lucinha Thiago têm). Tampouco foi explicitamente lembrado e ungido por Agnelo, como teria sido o ideal. Por isso, a expectativa é ver o que Naur vai fazer (e como vai fazer) com o “legado político de Agnelo”. Além disso, cabe a Maurício, de certa forma, “chamar a responsabilidade” sobre Naur e viabilizá-lo.
Políticos mais ligados a Agnelo, como os supracitados Giovani e Lucinha, devem ter maior prestigio população em curto prazo, por causa do efeito comoção, mas devem perder ainda mais espaço político-administrativo em longo prazo.
CANDIDATURA A VICE
Ao que tudo indica, o efeito maior na situação, todavia, será no trabalho de composição da chapa majoritária. Em se firmando o nome de Naur como candidato a prefeito, a vaga de vice ficaria em aberto.
Com Agnelo, nada mais natural que ele indicasse o nome do vice, como aconteceu em 2012 com Lucinha. Sem Agnelo, todos têm o mesmo peso para barganhar a vice: o PT, o PRB de Rosano Taveira, o PMDB de Antônio Batista e Elienai Cartaxo e o próprio PSD de Giovani Júnior e Lucinha Thiago, para citar os mais influentes.
Está disparada a corrida, portanto, para os que pretendem e querem um lugar de destaque nas chapas de 2016.
Neste ínterim, ainda tem o fator Câmara Municipal e seu presidente, Ricardo Gurgel (PSB). Ele, que tem ensaiado se lançar como candidato a prefeito, tem agora a reconfiguração do grupo situacionista como pretexto para repensar seus projetos e conversar com o grupo político de Maurício, ao qual pertence, sobre suas chances e seu real posicionamento interno.
OPOSIÇÃO
A oposição de Parnamirim, é fato, ganha terreno para avançar a partir de agora. Sem o resistente e prestigiado Agnelo Alves como combatente no “lado de lá”, os grupos encabeçados, principalmente, pelo vereador Gildásio Figueiredo (PSDB) e pelo ex-deputado estadual Gilson Moura têm a chance de ganhar força, caso saibam trabalhar projetos e conciliar interesses diversos.
Neste sentido, outra liderança política parnamirinense, o deputado estadual Carlos Maia (PTdoB), também ganha influência com a morte de Agnelo Alves. Isso porque Parnamirim ganha uma “baixa” em sua representação na Assembleia Legislativa com a posse do caicoense Vivaldo Costa (PROS) no lugar de Agnelo. Carlos Maia passa a ser o único político identificado com Parnamirim a ter assento no Parlamento estadual. Sua responsabilidade, e consequentemente seu prestígio, aumentam com todas as demandas concentradas no seu mandato.
Muitas das atenções se voltam exclusivamente para ele, pois o próprio deputado afirmou, em entrevista ao programa de rádio “Na Redação do PN”, estar rompido com o grupo de Maurício Marques por causa de “atitudes mesquinhas”.
Será natural, com os fatores acima pontuados, que Carlos “assuma” ser o porta-voz dos interesses de Parnamirim a nível estadual e junto ao governador Robinson Faria.
Como se vê e como o próprio Agnelo costumava dizer em entrevistas, política é como as nuvens. Numa hora está aqui, noutra está ali. Em Parnamirim, o tempo está nublado.

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