Caio Castro foi um dos primeiros de sua geração a não renovar com a Globo: ‘Tive medo, mas também coragem e curiosidade’

Antes mesmo que “A dona do pedaço” chegasse ao fim, em novembro de 2019, Caio Castro já sabia que não sairia do ar. Afinal, em junho do mesmo ano, a “Malhação” (2007) em que ele estreou começava a ser reprisada no canal Viva. A surpresa, no entanto, veio quatro meses depois de a trama de Walcyr Carrasco se despedir do horário nobre da Globo. Além da novela teen, o ator seria visto em mais duas reexibições, “Novo Mundo” (2017) e “Fina estampa” (2011), que entraram no lugar de “Nos tempos do imperador” (que nem chegou a estrear) e “Amor de mãe”, respectivamente, devido à pandemia do novo coronavírus. Se um Caio Castro já é bom, imagina três!

— Fiquei surpreso e feliz de poder rever personagens importantes da minha carreira, que mostram momentos distintos do meu trabalho. Isso é bem legal — comemora o ator, de 31 anos, 13 deles vividos bem diante dos olhos do público, desde que foi revelado num concurso do “Caldeirão do Huck” e ganhou o papel do Bruno em “Malhação”.

Assim, tão de pertinho, o público pôde acompanhar a caminhada desse paulista de Praia Grande (cidade do litoral sul de São Paulo), que teve em Antenor, o protagonista jovem de “Fina estampa”, sua primeira prova de fogo na TV.

— Eu tinha uma trajetória considerada curta, havia feito poucos personagens. Antenor foi meu primeiro papel no horário nobre e com muitas nuances, além de ter cenas fortes com Lilia Cabral, que é um monstro e uma artista que admiro muito. Então, assumir um vilão foi bem desafiador e igualmente importante — analisa o ator, que, na época, recebia conselhos de mães inconformadas com a forma com a qual o estudante de medicina tratava Griselda.

Já com o monarca de “Novo Mundo”, o artista recorda que a abordagem era outra.

— Dom Pedro era carismático e as pessoas adoravam o sotaque, a caracterização, o bigode. Além disso, quando eu o recebi, já tinha mais experiência e entendia melhor a minha carreira, enxergava poesia na profissão. Tanto que pedi para viajar para Portugal porque queria sentir um pouco daquele lugar, ouvir a forma como as pessoas falavam… Costumo dizer que foi uma conexão de outro mundo, quase que uma permissão ancestral para interpretar um personagem que tem uma ligação com a história do nosso país — acredita o artista, que ainda vai aparecer como Pedro I no início de “Nos tempos do imperador”, próxima trama inédita das seis, sem previsão de estreia (Caio gravou a cena do nascimento do filho Dom Pedro II, vivido Por Selton Mello, ainda na época de “Novo Mundo”).

A aposta no rapaz surgido num concurso, então, não poderia ter sido mais certeira. Após cinco anos emendando um trabalho no outro, no entanto, Caio surpreendeu quando não renovou contrato fixo com a Globo, sendo um dos primeiros artistas de sua geração a preferir negociar com a emissora a cada nova obra.

— Já são sete anos trabalhando na casa desse jeito. Tive contrato longo de 2008 a 2013. Não renovar foi uma decisão muito estruturada e pensada para ter mais liberdade como ator. Queria poder trabalhar com outras plataformas de conteúdo, tanto no universo digital quanto em outros canais fechados — explica o paulista, sem esconder que, em determinado momento, chegou a questionar se estava fazendo a coisa certa: — Eu me perguntei muito na época se esse era o caminho, se essa seria mesmo a melhor escolha a se fazer. Até porque, há sete anos, ninguém pensava em não ter um contrato a longo prazo com a TV Globo. Tive medo sim, mas também coragem e curiosidade.

Lançar-se no desconhecido, aliás, parece ser o combustível do ator. Amante dos esportes radicais (veja mais detalhes na página 11) e colecionador de carros, Caio também se jogou no mundo empresarial de maneira bem diversificada: é sócio numa rede de hamburgueria com 34 lojas funcionando em 16 cidades nas regiões Nordeste, Sudeste, Distrito Federal, Centro-Oeste e Sul, numa construtora de alto padrão, numa agência de publicidade, numa loja de tatuagem e num aplicativo financeiro. E, como é “o olho do dono que engorda o gado”, segundo o ditado popular, o artista acompanha bem de perto todos os seus negócios. Mesmo que tenha que se reinventar para estar por dentro de tudo durante a pandemia:

— As coisas não acontecem mais presencialmente. Então, como a rotina é participar de reuniões para saber o que rola nas empresas, isso passou a ser feito a distância, por vídeo.

Mas nem só de negócios vive a quarentena do rapaz, que aproveitou o distanciamento social para dar um gás em projetos engavetados.

— Tenho lido mais, comecei a estudar francês, algo que queria fazer há algum tempo e não rolava, tive mais tempo para pensar em coisas novas para o meu canal no YouTube, além de aperfeiçoar o estudo na língua de sinais. E também tive bastante tempo para não fazer nem pensar em nada, apenas ficar descansando do mundo — conta o paulista, que chamou atenção pelo interesse em Libras: — Já tem quase dois anos que venho estudando. Tudo começou em datas comemorativas como o Natal e a Páscoa, em que aproveitava para levar mensagens a todos, incluindo a comunidade de surdos e mudos. É muito legal a troca com eles, fiz amizades e fico feliz sempre que consigo ser compreendido. De lá pra cá, passei a estudar mais a língua brasileira de sinais na internet.

A desenvoltura com que fala da profissão, de seu lado empresário e de projetos pessoais não se repete quando o assunto é o namoro com Grazi Massafera, de 38 anos. Se nas redes sociais o casal deixa claro que está junto, com fotos românticas e declarações de amor, o assunto não é bem-vindo nas entrevistas. Nesta, para a Canal Extra, feita por e-mail, o ator pulou as perguntas referentes à amada. A postura não é uma novidade da era Grazi. Caio assumiu poucos namoros desde que ficou famoso. O primeiro relacionamento, inclusive, foi com Sophie Charlotte, seu par romântico em “Malhação”. O namoro, na ocasião, durou apenas três meses.

Com mais de 19 milhões de seguidores no Instagram e 270 mil inscritos em seu canal no YouTube, o artista sabe que o público cada vez mais tem interesse sobre sua vida. E como, então, medir tamanha exposição na web?

— Não importa o quanto você mostre, as pessoas sempre vão querer saber mais. Eu costumo dividir com meu público, nas redes sociais e no meu canal no YouTube, muito de mim, do Caio ator, empresário, tatuador, que viaja, que curte automobilismo… Tem muita coisa que me aproxima dos meus fãs, de quem curte o meu trabalho. Eles são muito carinhosos e respeitosos e muitos entendem quando preciso resguardar o mínimo de mim para nunca perder o foco de quem sou.

Segundo o galã, nesses 13 anos de exposição — que incluiu momentos sabáticos necessários para redefinir a profissão e se encontrar consigo mesmo —, o que ficou daquele garoto da Praia Grande, fã de Charlie Brown Jr., foi sua essência.

— Eu não mudei quem eu sou, continuo o mesmo: um cara família, que curte os amigos e gosta de estar com pessoas com a mesma energia do bem. O que rolou foram os aprendizados, que me fizeram evoluir e amadurecer no meu trabalho, nos meus negócios… Estou sempre em busca de conhecimento, de estudar e conhecer coisas novas — analisa.

Mesmo ainda com a sombra da Covid-19 a pairar sobre a população, o ator tenta com responsabilidade não ficar sufocado com o distanciamento social. Tanto que um dos registros mais atuais em seu Instagram é uma imagem bafônica dele e de Grazi, numa supermoto, dentro de um túnel, durante uma viagem para um local que é só natureza e sossego. Porém, apesar de ter na garupa o “amor da sua vida”, como o ator já chamou a atriz durante uma live com o amigo Marcos Mion, Caio deseja mais quando a pandemia chegar ao fim.

— Quero encontrar as pessoas, sinto falta. Mas isso é pequeno diante de tudo o que está acontecendo, tenho tentado manter o otimismo à espera de dias melhores — afirma o dono de uma “fina estampa”, deixando claro o que sonha para o “novo mundo”: — Mais empatia e respeito.

Caio Castro é um típico caçador de emoção

Nas veias de Caio Castro não corre sangue, mas adrenalina. O ator não esconde que é movido a fortes emoções e parece que, quanto maior o perigo, mais ele tem vontade de vivê-lo. Adepto dos esportes radicais, o aventureiro pula de paraquedas, faz kitesurf, mergulho, snowboard, rapel… A lista é extensa. Mas ele não sossega e tem na ponta da língua o que ainda falta.

— Vou pilotar um carro de Fórmula 1 e uma supermoto (moto GP) — garante o ator, que é piloto profissional de kart e paraquedista.

Caio não mede esforços para realizar seus sonhos mais radicais. Em 2016, durante três meses, ele e dois amigos fizeram uma viagem dos Estados Unidos ao Brasil a bordo de um motorhome. Foram 38 países. E, claro, o roteiro de esportes incluia surfe, skate, mergulho, um passeio de balão e salto de paraquedas.

Se para muitos o medo faz paralisar, para o artista, o sentimento tem eum efeito contrário:

— O medo me deixa em um lugar seguro, coloca meu pé um pouco no chão! (risos). Mas é inevitável me acidentar e me quebrar, isso não tem jeito. Estar protegido e com equipamentos adequados é quase tão importante quanto respeitar os próprios limites.

Toda essa consciência, no entanto, não o salvou de um acidente, ano passado, durante sua participação no Rally dos Sertões, em Campo Grande (MS): o carro que pilotava capotou quatro vezes. No seu canal no YouTube, ele relatou o momento do acidente, que, por sorte, não teve consequências graves. “A gente estava muito rápido, aí na hora que eu entrei no túnel, muito forte, não esperava que jogasse tanto a parte de trás pra cima. Foi como uma catapulta. Quando eu vi que capotou, eu tirei os braços e coloquei assim (em forma de cruz no peito). Girou, girou. O bagulho foi feio! Os braços ficavam batendo no carro”, disse ele, que ainda prosseguiu: “Automaticamente, eu e meu colega nos perguntamos se estávamos bem. Rapidamente, o atendimento já veio. O carro de cabeça para baixo. Me certifiquei de que o capacete estava encostado no teto, tirei o cinto, saí do carro engatinhando”.

Após ver o vídeo do acidente, que causou perda total no veículo, Caio disse ter ficado impressionado. Porém, se o capotamento está apenas na memória do ator, não tendo deixado sequelas, outros acidentes deixaram marcas pelo seu corpo. Mas, mesmo assim não o fizeram parar de se arriscar.

— Já quebrei os quatro membros, a clavícula, a cabeça… tudo. Nunca parei de fazer um esporte de que gostei. Continuo todos (risos).

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