Intenção da TAM seria de instalar hub em Natal desde início da disputa

Uma audiência realizada nesta segunda-feira (19) na seccional potiguar da Ordem dos Advogados do Brasil trouxe a público detalhes que evidenciam o favoritismo de Natal na disputa pelo centro de conexões da Latam.

À primeira vista, conforme explicou ao portalnoar.com o professor de administração Carlos Alberto Medeiros, podem parecer apenas detalhes, mas podem revelar como a Latam, desde o princípio, já esteve determinada a fazer seu hub no aeroporto internacional de São Gonçalo do Amarante, na região metropolitana.

Uma das evidências remete à redução do querosene de aviação. Em janeiro, o governador Robinson Faria rebaixou a alíquota de ICMS de 17% para 12%. O que só agora veio a público é que tal redução foi resultado de um pedido direto da TAM ao Governo do Estado.

Já com a disputa deflagrada entre Natal, Fortaleza e Recife, a TAM contratou um estudo à Oxford sobre os impactos econômicos do hub. Mais uma vez, o favoritismo de Natal ficou evidenciado.

Conforme o professor Carlos Alberto Medeiros, o estudo da Oxford tinha originalmente um caráter sigiloso e foi encomendado apenas para Natal. Não estava previsto que Fortaleza e Recife fizessem parte do levantamento.

Como a informação do contrato com a consultoria vazou na imprensa, o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), ligou para a presidente da TAM, Cláudia Sender para saber porque a capital cearense havia sido excluída do estudo, conforme o relato de Carlos Alberto. Foi só então que a TAM designou que o técnico da Oxford visitasse Fortaleza e Recife.

“Natal esteve no foco desde o princípio. Tanto é que o consultor da Oxford passou quatro dias aqui e um dia em Fortaleza e Recife. E não tinha voo planejado para a capital Cearense. Pegou um voo de Natal para o Rio de Janeiro, e só então foi para Fortaleza”, revelou Carlos Alberto.

Como consequência disso, surgiu a terceira evidência. “Ao exibir os resultados do estudo da Oxford, Natal foi a última cidade a ser ouvida. As reuniões de Recife e Fortaleza demoraram em média uma hora. Mas para Natal tinha mais o que falar. A reunião demorou duas horas”, explicou o professor de Administração.

Aeroporto

O mais recente estudo divulgado à imprensa foi o da consultoria Arup, que considera a estrutura dos aeroportos das capitais que disputam o hub. Recife está praticamente excluída da disputa. O texto aponta que seria necessário construir um novo terminal. Isso porque o conceito do aeroporto da capital pernambucana, explicou Carlos Alberto, não atende às prerrogativas de um hub, com ambiente de convivência propício a quem vai fazer conexões de voo.

“O aeroporto de São Gonçalo do Amarante é que menos precisa de intervenções. Eles pediram a construção de uma sala de segurança. O resto já está previsto no plano de expansão do terminal”, explicou o professor de administração.

Em sua exposição, Carlos Alberto relacionou a disputa ao hub de Atlanta, o primeiro dos Estados Unidos, em 1955. “Um hub, é para médio e longo prazo. Você acha que no início Atlanta era como Fortaleza e Recife – sem áreas para expandir, ou era como São Gonçalo do Amarante, que tem terreno que pode ser explorado?”

Se, afinal, a TAM teria Natal como escolhida desde o princípio por que deflagrar uma disputa, questionou a reportagem a Carlos Alberto, que concluiu: “Porque é maneira que ela tem de tirar o máximo que conseguir de nós”.

Câmara
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