Nada de Piauí: Especialistas garantem que Parnamirim tem o maior cajueiro

Para despontar como uma ameaça ao troféu do cajueiro de Pirangi, reconhecido pelo Guinness Book como o maior do mundo, o suposto concorrente localizado no município de Cajueiro da Praia, no Piauí, reúne numa mesma conexão três árvores da mesma espécie. É o que afirmam especialistas potiguares que já viajaram ao litoral do outro estado nordestino para conhecer o fenômeno.

É o caso da bióloga Michela Carborni, que no ano passado esteve no município piauiense e constatou que as características da planta não desbancam a do litoral potiguar. Comerciantes situados no ponto turístico de Pirangi e turistas também defendem a majestade local e elogiam a preservação e estrutura para visitação da árvore.

Ocorre que as autoridades piauienses estão divulgando desde 2010 que no município de Cajueiro da Praia há uma árvore maior que a de Pirangi, no município de Parnamirim. Trata-se de declaração embasada em estudo do engenheiro agrônomo Wellington Rodrigues de Souza, que garante que o cajueiro do Piauí tem 8,8 mil metros quadrados, enquanto o de Pirangi apresenta 8,5 mil quadrados, comprovados inclusive pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e pelo Guinness Book, o livro dos recordes.

Para a bióloga Michela Carborni, profissional contratada pela associação que administra o cajueiro de Pirangi, a frondosa copa que está animando as autoridades do Piauí consiste, na verdade, em três pés de cajueiros, sendo que um deles possui a mesma anomalia que o de Pirangi, ou seja, tem um crescimento acima do normal. “Estivemos lá, conversamos com moradores e verificamos que a copa não é oriunda de um único tronco, mas de três. Um deles tem a mesma característica que o daqui, mas isso não o torna maior”, explica.

Michela revela ainda que o que mantém o cajueiro de Pirangi crescendo com saúde é o cuidado com que é tratado. “O cajueiro é uma árvore de madeira frágil, que apodrece facilmente. Aqui, no primeiro sinal, realizamos um tratamento para evitar que o problema persista”, diz. Além dela, dois jardineiros e um agrônomo formam a equipe responsável em manter o cajueiro sadio. Segundo ela, o cajueiro do Piauí ainda não recebe os cuidados necessários e por isso verificou problemas no tronco.

Por falar em tronco, ela explica que identificou três troncos diferentes, ou seja, não se trata de uma única árvore. “São três cajueiros e os próprios moradores locais afirmam que os cajus produzidos são diferentes e com castanhas diferentes”, relata Michela.

A bióloga explica que os cajueiros têm raiz pivotante, que se caracteriza por apresentar uma raiz principal, da qual saem pequenas raízes que também se ramificam e são chamadas de raízes laterais ou raízes secundárias. “No nosso cajueiro, esta raiz só foi encontrada no tronco principal. Como os galhos entram em contato com o chão, ramificam e retornam à superfície, mas sem desenvolver a raiz pivotante”, explica.

Foram estas características que fizeram o Guinness Book reconhecer, em 1995, o cajueiro de Pirangi como o maior do mundo, produzindo uma média de 1,5 toneladas de frutos por ano. Enquanto isso, no Piauí, o governo decidiu contratar a Universidade Federal do estado (UFPI) para fazer um estudo genético e comprovar que o cajueiro gigante é uma única árvore. Depois, pretende bancar auditorias independentes para pleitear o título de maior cajueiro do mundo no “Guinness Book”.

A piauiense Arismar Silveira, 44, diz que fica deslumbrada toda vez que visita o cajueiro de Pirangi. Pela terceira vez ela fez a excursão em família e diz que já conhece o cajueiro concorrente da sua terra. “Já fui lá e é realmente grande. Pode ser maior do que o daqui, mas esse de vocês é muito mais preservado. Por isso, mesmo que não seja o maior, o carinho e o zelo irão fazer com que seja sempre admirado”, atesta.

Já a aposentada maranhense Piedade Araújo, 63, que está em Natal para a formatura do neto, foi levada para conhecer o monumento natural pela filha e ficou emocionada com a grandiosidade da espécie. “Isso é a prova da grandeza de Deus. Esses galhos ramificando, mas sempre ressurgindo e mantendo o cajueiro vivo são como as famílias. Que tenham um dois ou mais cajueiros assim. O bom é que os que estão aparecendo são do Nordeste”, brincou.

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